Eu escrevo essa introdução sem nenhuma perspectiva. Se este livro, ao ser vivenciado, enveredar por outro caminho, eu assim o deixarei. Não gosto de mandar na minha escrita, porque pra mim não faz sentido nenhum, porque escrever, pra mim é apenas deixar sair. E sai. Não me importo com a forma, porque sei que o que sinto no peito, seja a mais serena felicidade ou a mais profunda tristeza é amorfo, porque é infinito e o infinito assim o é.
Mas ja falei de tristeza, falei de separação, partidas e todas essas dores. E ainda falo, porque ainda sofro. Mas esse livro é sobre felicidade.
Você deve imaginar o quão deve ser difícil pra mim falar de felicidade, um usuário de antidepressivos e antipsicóticos. É deve ser difícil, mas ainda não sei porque ainda não escrevi.
No entanto, eu vou falar de felicidade. Mas não aquela felicidade que se encontra em qualquer esquina, ou numa loteria. Não falo de uma felicidade alegre, porque pra mim esta é tão efêmera quanto a água que se dissipa no calor.
Falo de uma felicidade que eu conquistei, ou que acho que conquistei. Pra falar verdade, acho que estou mentindo, não para ti, mas para mim mesmo.
Talvez eu ainda não tenha conquistado essa felicidade. Mas eu sei que ela existe e que ela assim o é. E talvez esse livro seja o meio de encontra-la, ou quem sabe perder-la de vez. Sei lá. Nem quero pensar. Quero arriscar, arriscar a minha vida no que pode ser minha prisão, ou quem sabe, minha libertação.
Enfim, não quero me prolongar. Falo aqui de uma felicidade simples, que não está nas coisas, nem nas pessoas, está no sentir. Essa felicidade (Que ainda é um mistério pra mim) consiste numa percepção. Numa percepção, não numa perspectiva. Porque mais que além de ver o outro lado das coisas, o importante é ver que existem outras coisas.
E é dessas outras coisas que falo. No sentir de que podes morar no peito de alguém, no sentir que podes morar na casa de alguém, porque este te ama como és. É sobre um sentir que aos poucos se aparece, ou melhor, se percebe. É uma felicidade morna, mas fiel ao peito.
Esse é um livro feliz, mas nem sempre alegre. Espero mostrar ao mundo minha felicidade ou quase isso.
Aquela felicidade que é conquistada, que te faz sentir não a pessoa mais alegre do mundo, mas a mais sortuda por apenas ser quem és.
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